Rock como documento histórico

Já há algum tempo eu tenho notado, principalmente nos grandes centros urbanos, que o analfabetismo tem diminuído consideravelmente.

Sim, eu sei que muitos discordarão disso, e que para outros tantos o índice ainda parece grande; no entanto minha analogia sobre isso está mais baseado em alguns fatos, de certa forma até pitoresco, mas fundados!

Lembro que ainda moleque na década de 80, ao fim de um regime militar instaurado pela ditadura e uma abertura mais ampla aos conceitos, produtos e cultura americana, que porém tinham as línguas estrangeiras pouco se difundiam aqui. E foi nessa época que algumas bandas de rock internacionais começaram a aportar em terras tupiniquins, e ao lado de Alice Cooper, Queen e Van Halen, o KISS foi uma dessas bandas pioneiras, todas abrindo as portas para o mega evento que viria se realizar em 85, o ROCK in RIO. 

Revirando meu velho baú nesta semana do Dia Mundial do Rock, vasculhando as origens que me levaram a tornar-se um grande fã da banda KISS e fiel Roqueiro, revi o documentário – QUEM KISS TEVE –  que foi realizado de forma independente durante o ano de 1983… foi como fazer uma imensa viagem ao passado. Me senti aquele molequinho de novo, provavelmente meus olhos deviam brilhar ao ver tais imagens.

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Emoções a parte, este documentário acabou refletindo uma época que ainda era marcada pelos nossos regimes governamentais, a miséria e a deficiência da educação de um país de submundo. É muito triste ver os ambulantes que ao acercas do Morumbi vendiam sanduíches a duras custas de uns trocados, com apenas uma meia fatia de mortadela (mais fina que meia de seda) ou um lanche com molho de calabresa (molho??? só molho??). 

Se a vida não era fácil, provavelmente a educação era ainda mais complicada, ainda mais quando se tratava do uso da língua inglesa. Os vários adolescentes e jovens que tanto aguardavam ao show, tentavam arduamente trançar a língua a ponto de balbuciar sons estranhos que pudessem se confundir com a língua inglesa e as letras das músicas. No documentário, ouvir uma ou duas palavras seguidas do público em inglês era preciosidade. Uma dura realidade da vida brasileira da época!

Primeiroshow do KISS no Brasil - 1983
Primeiro show do KISS no Brasil – 1983

Não obstante, quando a banda aportou por aqui em 1994, durante uma apresentação no extinto Programa Livre, a platéia ensandecida de fãs clamavam para serem ouvidos pelos seus ídolos e podia-se ouvir 90% das perguntas feitas em inglês, de forma fluente, e que muitas vezes não possibilitavam nem tempo para a tradução da interprete, e durante o show o público soltava a voz exatamente como a música mandava.

Onze anos apenas haviam se passado entre as duas apresentações e uma nova geração se criou e vingou diante da constante e expressa evolução que a globalização nos impunha, sem contar que nessa época ainda não podiamos nem contar com o fenômeno da Internet.

Nos dias atuais vemos que cada vez mais o povo brasileiro, principalmente dos grandes centros urbanos, necessita de uma educação forte e refinada. A demanda do mercado muitas vezes exige que até mesmo para as funções com menos evidência saiba um pouco da língua estrangeira, sejam eles faxineiros de grandes hotéis, camareiras, garçons, atendentes de lanchonetes, entre outros. Chegará o momento que até mesmo um pedreiro vai ter a necessidade do inglês para atender a demanda de alguma grande construtora.

Essa diversidade e constante crescimento cultural globalizado, não só de nós brasileiros, mas de  vários outros países da América Latina, de nos submetemos para compreender e ser compreendido pelo mundo afora, fará de nós um povo mais insinuante e diplomado do que todas as outras nações e continentes, e como diria o Cérebro dos desenhos animados, ´…amanhã estaremos preparados para dominar o mundo!´

Obs. O documentário QUEM KISS TEVE, é composto de mais duas parte (1 e 3) muito interessantes de serem assistidos, em forma de comparação de uma sociedade emergente do regime militarista que deixava  o país.

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