70.000 Tons of Metal 2011 – Diário de Bordo

Em 24 de Janeiro de 2011 zarpou o navio dos sonhos de qualquer metaleiro ou headbanger do mundo, batizado de 70.000 Tons of Metal. Ele teve o propósito de colocar em um navio de cruzeiro a estrutura, as bandas e os participantes dos famosos festivais de verão da Europa, mas sem a parte chata de dormir em barracas ou ter filas para utilizar os precários banheiros, tendo comida e bebida à mão 24 horas por dia e a grande vantagem proposta pelo festival: permitir que os passageiros e músicos dividissem os mesmos decks e restaurantes: era como se tudo fosse um backstage, todo mundo no mesmo barco.

Por Zeh Master

A bordo do luxuoso navio Majesty of the Seas, propriedade da Royal Caribbean International (RCI, para os íntimos), zarpamos de Miami pontualmente as 18:00 de uma segunda-feira. Neste mesmo instante foi quebrado o record histórico de consumo de cerveja em uma viagem de navios da RCI, e isso foi feito com o navio ainda ancorado: a viagem prometia! Um pouco depois das 19:00 o Exodus cortava a fita de inauguração da viagem em ótimo estilo numa noite que acabaria apenas com o amanhecer. Junto com o início do festival confesso que senti medo de algum desastre como alguém se jogando do navio;  um motim ou incêndio, mas a empolgação de participar de algo único me fez esquecer essa besteira para aproveitar o festival, afinal de contas eram 42 bandas à bordo, muita cerveja ainda no estoque, toneladas de equipamentos e 2000 lunáticos ávidos por 5 dias de Heavy Metal.

A agenda do festival contemplava que cada banda fizesse dois shows: um na primeira metade da viagem e outro na segunda. O motivo disso é que haviam shows simultâneos, e quem perdesse o primeiro teria a oportunidade de assistir depois. Assim, incialmente acompanhei os sons mais leves, me fazendo alternar entre o ar-condicionado dos palcos internos e o vento cortante no palco da piscina no exterior do navio. Entre uma banda e outra, parava esporadicamente para comer algo ou conhecer o navio. O próprio navio contava com um Freeshop e com uma loja do festival, parada obrigatória. O cruzeiro passou navegando pelas águas do Golfo do México durante todo segundo dia, onde tiveram shows das 10:00 da manhã até as 3:00 da madrugada. Foi a hora de acompanhar as ótimas apresentações do Blind Guardian, Gamma Ray, Sonata Arctica e Sabaton.

 Na manhã seguinte chegamos à costa do México, ancorando na paradisíaca ilha de Cozumel onde passaria o terceiro dia. Para alguns foi um parada para recarregar as energias, mas para mim foi a oportunidade de pisar em solo mexicano para conhecer as ruínas dos Mayas em Tulum e o maravilhoso azul do mar do Caribe. Foi também essencial para provar um pouco de uma das culinárias mais populares do mundo, de provar a cerveja nacional e uma estratégica parada para comprar tequila no freeshop do porto.

De volta para o navio, de volta para a loucura. Como havíamos chegado à segunda metade da viagem, agora era a hora de pegar os sons mais pesados como Saxon, Sodom, Rage, Forbodden entre outras. Um ponto muito positivo para a felicidade geral da nação headbanger foi a possibilidade de encontrar, conversar, tirar fotos e conhecer de perto seus ídolos musicais.

Mas também presenciamos algumas cenas interessantes, como dividir a mesa de jantar com um casal francês sem graça, dois alemães malucos e o guitarrista do Forbidden, Steve Smyth com sua esposa e ouvir os causos que eles contavam; ver o Zak Stevens abraçando um fã apenas por estar vestindo um colete com a capa de um dos discos do Savatage; toda madrugada após as apresentações os músicos e seus fãs se reuniam no Karaoke do navio para interpretar músicas que jamais os verão cantando novamente; alguns headbangers pagando mico em um concurso de ‘Pool Belly Flop’ , que traduzindo para o popular seria Salto com Barrigada na Água, onde o campeão era o cara que melhor utilizasse sua barriga molenga e gigante para tirar mais água da piscina; por último assistir ao show do Uli Jon Roth e ter como companheiros de pista todos os outros músicos.

Nos 5 dias que se seguiram acompanhei shows de grandes nomes como o Iced Earth em seu ultimo show com o Matt Barlow; Saxon; Gamma Ray; Blind Guardian e Rage do lado tradicional/melódico e Exodus; Destruction; Testament e Sodom para os fãs de algo mais pesado. Mas algumas bandas merecem ser citadas como os insólitos shows do TÝR e Amon Amarth, que são bandas com pegada viking tocando em um festival dentro de um navio. Sabaton também fez ótimos shows, Korpiklaani e Finntroll trouxeram bastante folk metal e inspiração para deixar a pista parecida com uma festa pagã, e algumas velharias para os saudosistas tipo o Agent Steel, Raven e Uli Jon Roth, que cito de novo pelo ótimo show. Outros caras que surpreenderam foi o Death Angel pela sua energia no palco e por terem convidado ao final de seu ultimo show a única criança à bordo para dar o acorde final na guitarra: um moleque de uns 12 anos acompanhado do pai. Encontramos pai e filho por acaso antes de embarcar, onde previram que iria ser uma experiência única – eles estavam certos.

O único ponto negativo foi quase termos acabado com a cerveja: na quinta-feira só havia Budwiser na maioria dos bares do navio. Ok, bem melhor que outras marcas tranqueiras que tem por ai!

Sexta-feira, 6:00 da manhã sinto o barco balançar forte. Chegamos à Miami, acabou a festa. Ou melhor, começou a festa de nos organizar e especular bandas para o ano seguinte. Que venha 2012!

Para quem quiser saber mais e ver outras bandas do lineup passado e futuro, segue o site oficial: (http://www.70000tons.com/)


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