SWU – Rock Express on the Road

Provavelmente uma das grandes diferenças entre o SWU e o Rock in Rio e que gera um não-embate ideológico sobre o conceito de ambos festivais seja o nome. Enquanto muitos teceram inúmeras críticas e piadas sobre o RIR por não ser um evento ROCK, o SWU se manteve apenas como um evento bem eclético.

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Apesar da proposta do SWU – baseado na temática da sustentabilidade – ter uma amplitude mundial centrado no futuro ambiental, incluindo fórum com personalidades famosas como Daryl Hannah, Bob Geodof, entre outros; indubitavelmente à atenção e o sucesso do evento acaba girando em torno da música.

Nesta questão a variedade e mistura de estilos musicais abriu o evento encontro de diversas tribos; apenas obedecendo a um line-up principal que não divergisse tão abruptamente, e dessa forma o primeiro dia do evento foi basicamente dedicado ao pop.

No segundo dia do festival o ROCK EXPRESS colocou o pé na estrada para conferir de perto algumas lendas e ícones do Rock que por lá passaram! ROCK EXPRESS on the Road!!

Por Edu Lawless / Fotos R. Fernandes – Fotografo credenciado SWU

Domingo, 13 – 2º. dia / 1º. dia Rock Express on the Road

O sol estava trincando na manhã de domingo quando chegamos a Paulínia. Para se ter noção da dimensão do lugar, posso dizer que tudo parecia sempre muito longe, apesar da infra-estrutura estar bem espalhada por todo o complexo. A falta de identificação de palcos acabou sendo um problema para muitos espectadores que se sentiam perdidos. O Palco New Stage ficava na parte baixa do complexo e bem de frente (cerca de uns 800m.) da Arena Eletrônica – onde rolava uma verdadeira Rave desde abertura dos portões até o fechamento do evento. Na parte alta do complexo ficava a arena principal onde dois palcos ficavam de frente um para o outro, alternando os shows e fazendo o publico migrar de um lado para o outro durante todo o dia.

A primeira banda interessante a tocar eram os brazucas do Ultraje a Rigor, porém uma tempestade associada a uma rajada de ventos contra um dos palcos fez com que o espetáculo fosse adiado por um tempo, o que levou a uma inversão da ordem de apresentação.

ee_DSC0805Com isso o Tedeschi Trucks Band entrou no outro palco levando ao público um Southern Rock Americano de levada tranqüila. Apesar do bom som e o vocal feminino de Susan Tedeschi, o fato de ser uma banda pouco conhecida do público brasileiro acabou sendo apenas um show morno, mas num contexto geral aqueceu os ouvidos da grande massa que havia ido para ver o Southern Rock da banda que fecharia a noite.

Ultraje e porrada no palco

Passado algum tempo e alívio da chuva, já com um bom atraso na programação das bandas, o Ultraje à Rigor entrou no palco e mal acabou a primeira música “Zoraíde” e o “pau comeu” em cima do palco diante de toda a platéia entre o Staff do Ultraje e de Peter Gabriel.

ultrajePorém por uma infeliz brincadeira de Roger todo o crédito da confusão ficou para a equipe de Chris Cornell. Roger repudiou a atitude dizendo que “os gringos vinham para o Brasil para cagar nas nossas cabeças” e salientou a falta de respeito com os artistas nacionais quando foi coagido a cortar seu set list pela metade. A revolta tomou momentaneamente conta da platéia pelo patriotismo, o que agitou muito e deu forças para o Ultraje.

Após fecharem o show com a clássica “Nós vamos invadir sua praia”, o público (brasileiro gosta mesmo de ver confusão) pediu mais e Roger começou a tocar “Marilu”. Foi a gota d’água para alguém da produção invadir o palco e sair desligando os equipamentos dos músicos. A banda saiu do palco xingando em inglês e o baterista Bacalhau destruindo sua batera!

Chris Cornell voz poderosa para show sonolento

O engraçado de toda essa confusão, que o próprio Beto Lee que estava ao meu lado com o ponto da Multishow confirmou que a confusão havia sido com a equipe do Chris Cornell. E a notícia só foi desmentida várias horas depois do ocorrido.

Mais bizarro ainda foi que pelo atraso nos horários das apresentações a próxima atração seria o próprio Chris Cornell no mesmo palco que o Ultraje havia acabado de deixar. Já que o público desconhecia o verdadeiro fato ocorrido, o músico foi recebido pela platéia dividido entre vaias e euforia. Foi realmente estranho, pois Chris Cornell parecia muito tranqüilo para um cara que há menos de uma hora atrás havia ameaçado deixar o espetáculo sem tocar. Chris se dizia honrado em tocar no Brasil.

Mas apesar da potente voz do ex-vocalista do Soundgarden, o show apenas com baquinho, violão e voz foi sonolento. Nada que não pudesse ser feito em um barzinho qualquer ou na praça de alimentação de algum shopping.

Hole mostrando que tem peito!

Chegou a hora de descer até o palco New Stage para acompanhar a primeira passagem da banda Hole por aqui. O que esperar de uma banda de punk rock liderada pela polêmica e alucinada Courtney Love?

hole_smallQuem lança um critica sobre o Hole obviamente não foi preparado para assistir esse Show. Punk Rock é Punk Rock… é zuado… é rasgado… é impensado! E é exatamente isso que Courtney deu ao publico. Conversou e brincou muito com o público! Pediu camiseta, batom e usava qualquer coisa que jogassem para ela no palco. Mostrou que tem peito (literalmente).

Acompanhada por quatro garotas sortudas brasileiras que fizeram coreografia no palco, o Hole tocou seus sucessos. Levantou a galera ainda mais com “Violet” e teve seu momento improviso tocando uma versão “freak” de “Bad Romance” – Lady Gaga – recheada de palavrões e enrolação quando não sabia a letra.

Perto do final do show Courtney teve seu momento insano (mais??) ao surtar perante um pôster/foto do Kurt e provavelmente agressões verbais de algum babaca na platéia. Com ataques, gestos e xingamentos Courtney deixou o palco!

Minutos depois, acalmada pelos membros da banda e ao coro do público que pedia sua volta, Courtney retornou ao palco e ao show, mas não sem antes entre as musicas expor sua fúria contra Dave Grohl, ex-integrante do Nirvana e atual líder do Foo Fighters.

Courtney emendou então “The Fly” e enlouqueceu o público com “Celebrity Skin” e “Plump” na seqüência.

Quem foi procurando diversão e um Punk Rock alucinado, com certeza encontrou; já quem foi procurando sonoridade, melodia comportada com certeza não deveria nem ter ido!

 Lynyrd Skynyrd… sem mais

Enquanto me preparava para ver o fechamento da noite com o clássico setentista Lynyrd Skynyrd, tudo que eu esperava era um show repleto de clássicos tocados de forma sossegada pelos seus músicos. Honestamente minha expectativa era ver o baterista Michael Cartellone destruindo nas baquetas da mesma forma como ele fazia na sua ex-banda de Hard Rock Dawn Yankees.

Quando a banda entrou no palco aos acordes de “MCA” foi delírio geral. Surpreendente para mim! O público cantava junto cada palavra e a banda… show a parte. Para quem esperava “tiozões” fincados em cada canto do palco fiquei alucinado com a performance de palco de toda a banda. O guitarrista Rickey Medlocke não parava um segundo sequer com uma presença de palco alucinante e de fazer inveja a muitos.

ee_DSC0661Com um Rock bem Hard e pesado fizeram o publico alucinar. Michel Cartellone nas baquetas não deixou por menos e sentou a mão sendo um dos destaques da banda. O show deu uma amenizada com “That Smell” e “Same Old Blues”, mas foi só o prelúdio para a fantástica “Simple Man”. De dentro do Pit da Multishow eu pude ver um belíssimo espetáculo de uma banda emocionada em tocar diante de um publico brasileiro que soava como uma única voz e braços levantados cada trecho da música. Foi arrepiante!

A banda se contagiava ainda mais com o público e isso só fez valer mais o espetáculo, para sagrar o bis com “Sweet Home Alabama” e finalizando com “Free Bird” com mais de 10 minutos de execução e um final alucinante que deixou qualquer um com a sensação de ter presenciado um dos grandes shows do ano.

Segunda, 14 – encerramento, 2º dia Rock Express on the Road

O encerramento do SWU na segunda feira prometia muito rock. Mas como várias bandas eram de Seattle, parece que elas trouxeram a chuva típica da cidade junto. Desde o começo da tarde a chuva de ares da graça… e foi assim o dia todo!

ee_DSC0937A primeira banda realmente interessante foi o Loaded do ex- baixista Duff McKagan. Com um hard rock pouco conhecido do público presente, Duff conquistou o publico pela sua simpatia e quando relembrou alguns clássicos pouco conhecidos do Guns como “So fine”.

Phil Anselmo alucinado… literalmente

ee_DSC1061Bastou a primeira música “Temptation Wings” rolar para o Down mostrar todo o peso e insanidade do metal. O Vocalista Phil Anselmo (principal e ex-vocalista do Pantera) estava alucinado e de cara rasgou a testa batendo o microfone contra ela.

Em determinado momento Phil empunhando uma bandeira brasileira ficou tão emocionado que pediu um tempo para a banda e ajoelhou-se no palco como se estivesse em lágrimas. Para o delírio da galera o Down ainda teve a presença no palco de Duff McKagan que tocou “Bury Me In Smoke” fechando o show.

Outra banda de peso esperada da noite foi o Megadeth. Disparando petardo atrás de petardo. A banda abriu o show com a música “Trust” fazendo o publico Metal enlouquecer, emendando na seqüência “Wake Up Dead” e “Hangar 18”. Dave Mustaine se limitou a falar com o público agradecendo os brasileiros presentes e continuou disparando os clássicos da banda. O som estava ótimo, mas em minha opinião, faltou um pouco mais de tato de Mustaine com a galera. Apenas antes do Bis foi que Mustaine trocou mais meia dúzia de palavras com o público antes de disparar “Holy Wars” para encerrar o show.

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Alice in Chains e chuva intensa… de sons

Alice_smallA banda de Seattle Alice in Chainsveio preparada para mostrar aos fãs brasileiros seu novo vocalista Willian DuVall e preparou um set list para não deixar dúvidas quanto sua capacidade – não de substituir – mas sim, representar a altura o aclamado Layne Staley.

Sempre liderados por Jerry Cantrell, que inclusive assume os vocais nas principais músicas da banda, o Alice in Chains fez com que a galera esquecesse um pouco a chuva – ou curtisse o clima de Seattle – para acompanhar os grandes clássicos da banda como “Rain When I Die”(sugestivo para o dia), “Down in a Hole”, “Nutshell” sem contar “Angry Chair” e “Man in the box” que se tornou um único som por toda a platéia da arena cantando em coro.

Sustentabilidade?

Em resumo geral ao final dos dois dias que estive presente no festival, apesar do conceito de sustentabilidade, a montanha de lixo que ficou espalhada por todos os cantos mostrou a completa falta de noção do público presente com a real filosofia do evento.

Se a idéia é preservar o verde, posso garantir que a queima maciça de erva por todos os espaços do complexo, não deixaram dúvidas – e cheiro – no ar de que o público não estava nem ai para o conceito da sustentabilidade.

E se o público estava presente pelas principais bandas de cada dia, o Line-up do espetáculo também deixou muito a desejar, já que muitos desconhecidos importados aportaram por aqui e de nada acrescentaram musicalmente a platéia, ao invés de darem a oportunidades para grandes bandas brasileiras que começam a se destacar no cenário do Rock/Metal Nacional como Holiness, Shadowside, Pastore, entre tantas outras.

Para finalizar, o mar de lama que se formou no caríssimo estacionamento, manteve muita gente varando a noite para tirar seus carros do atoleiro, tendo que até mesmo pagar altos valores para terceiros rebocarem seus veículos já na manhã de terça-feira.

Agora é esperar pela versão 2012 e os detalhes que podem ser corrigidos, já começando pela programação de datas que pretende ser em Setembro ou Outubro afim de evitar as chuvas da região, já que o evento deverá se manter no complexo da cidade de Paulínia.


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