Author & Punisher – Entrevista exclusiva com Tristan Shone

Conheça Tristan Shone, um músico americano de Doom Metal, que é membro da banda de um único integrante Author & Punisher, o qual está nos mostrando o futuro da música, explorando novos horizontes de como a música pode ser criada e tocada.

 

Ele trabalha como engenheiro mecânico em um laboratório de ciência durante o dia e a noite, ele passa a maioria do tempo construindo e inventando seus próprios controladores de música com partes de máquinas, em vez de utilizar sintetizadores que estão prontos para serem utilizados e disponíveis nas prateleiras de uma loja de música.

 

Confira um vídeo dele ensaiando em seu estúdio:

 

Confira a entrevista exclusiva que ele concedeu ao Rock Express e foi conduzida por email pelo nosso colaborador Klemer Santiago.

 

Rock Express – Nossa! Estou extremamente impressionado pela sua criatividade ao escutar a música “Terrorbird”. Eu senti como se eu estivesse escutando uma banda que saiu diretamente do filme “Exterminador do Futuro”. Você seria o cara que tomou o controle sobre as máquinas da “Skynet”. E depois, em vez de transformá-las em sucata, você começou a fazer música com suas peças e acaba de voltar do futuro para nos mostrar novos horizontes musicais. Esta é a sua primeira entrevista para a imprensa brasileira?

Tristan Shone – Sim! Obrigado por entrar em contato.

 

Rock Express – Quantos anos você tem Tristan? E de onde você é?

Tristan – 34. Sou de Strafford, New Hampshire, próximo de 1 hora ao norte de Boston. Agora eu vivo em San Diego, CA.

 

Rock Express – Você poderia nos contar sobre a sua formação musical e há quanto tempo você escuta metal?

Tristan Eu cresci tocando piano em um bairro e em uma família cheia de músicos (a maioria de Folk, alguns de Rock). Ao crescer em uma área rural de NH em uma fazenda, eu não tinha muito acesso a música Heavy, então foi até eu ter escutado Sepultura no rádio, quando eu tinha uns 12 ou 13 anos (a música “Straighthate” do álbum “Roots“), que eu realmente fiquei inspirado. Eu até liguei para a rádio para descobrir o que era aquilo… Eu acho que eles pensaram que eu era um idiota.

 

Rock Express – Você chegou a tocar em outras bandas antes de Author & Punisher?

Tristan – Sim, em muitas. Toquei em algumas bandas de metal no colegial, mas a minha primeira banda mesmo se chamava Empathy Test, que era uma banda com dois bateristas, profundamente inspirada em Godflesh e também com influências de Jawbox e Fugazi. Ainda no colegial, tive a Falkirk, uma banda completa onde eu cantava e tocava guitarra. Essa foi uma banda que me divertiu por 4 anos com influências de Death Metal (Nile, Obituary, Cannibal Corpse) e algumas de Doom lento (Neurosis, Melvins, His Hero is Gone). Depois eu me mudei para Boston e comecei a trabalhar como engenheiro em uma companhia de alta tecnologia e montei outra banda, a Bourne (com influência do outro guitarrista, que tocava melhor que eu.. uma pegada mais puxada para o prog-rock) que teve pouca duração, pois eu decidi voltar a faculdade para estudar escultura e começar a minha banda de um homem só a Author & Punisher.

 

Rock Express – Quando e como você se deu conta que podia fazer música usando máquinas?

Tristan – Quando eu voltei para a faculdade, eu quase que imediatamente lancei o álbum “The Painted Army”, meu primeiro com a A&P, que era baseado em programação no laptop de batidas, sintetizadores e baixo. Então eu estava tentando balancear o meu interesse em esculturas, enquanto eu levava mais a sério o meu trabalho com a banda.

Eu tive minha primeira amostra de arte fora da cidade no Museu de Arte Contemporânea da cidade de Scottsdale, com uma escultura que era uma espécie de robô faxineiro que se machucava lentamente com o passar do tempo. Eu gostei muito do projeto, mas a experiência me ensinou que eu não queria fazer objetos os quais eu não poderia brincar ou interagir com eles; isso pra mim era uma perda de tempo e dinheiro. Eu tinha poucos recursos e pouco tempo nesse planeta. E também, um amigo e colega de classe me ensinou como fazer caixas para amplificadores e uma ideia estalou em minha cabeça: combinar todos os meus interesses em uma única disciplina. Eu não forcei isso, eu só pensei sobre maneiras de fisicamente interagir com a escultura e isso naturalmente progrediu para essas máquinas de Doom.

 

Rock Express – Como é trabalhar como um engenheiro mecânico durante o dia e a noite aplicar os seus conhecimentos em fazer música? Seria algo como você estar no laboratório, atualizando os microscópios com robótica nova e de repente você encontra uma nova possibilidade para um instrumento musical?

Tristan – Sim, seria algo como você falou. É exaustivo na verdade! Eu preferiria não trabalhar para eu poder fazer tudo o que está na minha cabeça, mas sim é isso mesmo, eu entro em contato com muitos equipamentos, velhos e novos e todas essas texturas, belezas da mecânica e tantas qualidades que elas alimentam minhas ideias. Eu acredito que meu trabalho ficaria deixando algo a desejar se eu não estivesse trabalhando nesses projetos.

 

Rock Express – Você sabe qual o tipo de som que quer alcançar quando constrói uma nova máquina, ou é mais como tentativa e erro?

Tristan – Essas máquinas são controladores, então elas não fazem nenhum som. Elas são mecanismos com sensores montados de uma maneira que o movimento é codificado e alimentado através de um micro controlador ao computador. Os sons são todos oscilações ou amostras do meu computador (só para deixar as coisas claras). Eu tenho sons em minha cabeça durante todo os meses que fico trabalhando em um novo dispositivo, portanto leva somente de 1 a 2 dias para eu chegar ao som que eu quero que ele faça. Cada um tem um tipo de sensação e textura o qual já me vem um som na cabeça… apenas faz sentido para mim.

 

Rock Express – O quão difícil é para agendar shows aos vivo sem interferir no seu trabalho?

Tristan – A grande maioria dos shows são de fim de semana, então não há problema, mas em turnês, eu tenho sorte de trabalhar em uma Universidade com um grupo de cientistas e pesquisadores que respeitam o trabalho que eu faço; eles todos também fazem algo (novas empresas, viagens para surf, fotografar aventuras).

 

Rock Express – Você pode nos contar um pouco sobre o seu último instrumento Mute/Gate/Dither? E quais novos sons podemos esperar dele?

Tristan – Ele é um tipo de máscara eletromecânica na qual o som não vem de um computador e sim dos motores, pistões de ar e sua voz. Eu ainda não tive muito tempo para tocar com ele entre a turnê e meu trabalho, mas depois de terminarmos de filmar o vídeo clipe (Terrorbird), eu vou fazer um vídeo com essa máscara. Eu gosto de como a voz sai e adicionando algumas restrições como Mudo, ou simplesmente fechando a entrada de ar, você pode obter um efeito de tremolo enquanto canta. Eu só fiz uma apresentação, então não posso falar muito dos resultados ainda.

 

Rock Express – Quais bandas lhe influenciaram? E o que você tem escutado nos últimos meses?

Tristan – Eu já mencionei algumas bandas nas perguntas anteriores, mas lá vai: Neurosis, Godflesh, Melvins, Meshuggah, Sepultura, Quicksand, Flying Lotus, Deadbeat, Pole… Ultimamente: James Blake, Nicolas Jaar, Maruosa, Azealia Banks, YOB, Black Cobra… Eu gosto de todo tipo de porcaria. :)

 

Rock Express – Quanto tempo leva para você montar seu equipamento para um show ao vivo? Eu posso imaginar que eles são muito pesados de se manejar.

Tristan – As máquinas mais novas, as quais eu usei no “Usus Americanus”, me levam 15 minutos para montá-las. Elas estão em cases e eu posso voar com elas. As Drone Machines levam mais ou menos 30 minutos, isso se eu tiver sorte, porque elas são muito pesadas. Eu estou planejando uma turnê com as Drones Machines para o próximo ano…

 

Rock Express – Quais audiências as suas músicas alcançam?

Tristan – Eu acredito que a principal é de Doom Metal, do tipo que curte Godflesh, mas tem um contingente de fãs de arte e pessoas que curtem eletrônica experimental também. É bem diversificado e eu me orgulho muito disso.. crianças, avós, carneiros, todos são bem vindos.

 

Rock Express – Você lançou o novo álbum “Ursus Americanus” no dia 24 de Abril de 2012. Qual o significado do título? Como foi o processo de gravação?

Tristan – O título basicamente significa Urso Negro Americano, que é um animal dócil, porém é uma criatura muito forte. Eu gosto de pensar da minha música e de mim mesmo como se enquadrando nessa descrição. Eu sou relativamente patriota, no sentido de que eu não vou abandonar o barco Estados Unidos, mesmo que as coisas têm piorado ultimamente.

 

Rock Express – O que podemos esperar de Author & Punisher neste ano? Haverá alguma turnê internacional, um DVD ao vivo?

Tristan – Eu vou tocar na Cidade do México no final de Setembro, depois irei tocar na costa leste americana, Europa e depois voltar em Outubro e Novembro. Eu adoraria ir ao Brasil e América do Sul novamente. Eu toquei em São Paulo e no Rio de Janeiro em 2009 e 2011, respectivamente. Além disso, teremos o vídeo clipe da música “Terrorbird”, o lançamento oficial e um vídeo das máscaras, lançamento em vinil de “Ursus Americanus” e algumas músicas novas que estou tentando lançar… tem muita coisa para fazer francamente, mas eu estou tentando me esforçar um pouco. Depois de tudo isso, eu vou trabalhar em umas máquinas novas com tema bem industrial, alguns dos modelos já estão prontos…

 

Rock Express – Esta é para os brasileiros que irão conhecê-lo através dessa entrevista. Você poderia nos dizer o que você pensa sobre o Brasil e se você conhece alguma banda brasileira? E também se existe algum plano de divulgar o seu álbum “Ursus Americanus” em uma turnê Sul Americana?

Tristan – É engraçado você me perguntar isso. Eu sou casado com uma brasileira de São Paulo (Osasco). Talvez eu não deveria dizer isso, mas eu sou um grande fã de futebol e quando eu estive por ai, eu era tido como fã do Corinthians… Eu espero que eu não receba pedradas quando eu for ai, hahah. Quando estive no Brasil, eu toquei em alguns festivais como o FILE Festival, mas além disso eu não conheço muitas bandas, nem de metal brasileiras. Eu não vejo a hora de voltar… a comida, as pessoas, as bebidas, tudo vem ao encontro da minha personalidade. Neste momento não existe um plano, mas as coisas estão progredindo para A&P, então alguém irá me convidar. Vamos fazer isso acontecer.

 

Rock Express – Você poderia nos contar alguma história engraçada que aconteceu durante algum show ao vivo? Também, pode ser algo antes ou após o show.

Tristan – Bem, isso foi quando eu estava com minhas primeiras máquinas, as “Drone Machines”, e foi uma apresentação para minha aprovação na faculdade de arte com todos os meus professores presentes, isso foi em 2007. Eu estava com meu enorme sistema de som e todos os meus equipamentos montados, o que me levou um dia inteiro para montar. Haviam várias pessoas lá se divertindo, ansiosas pelo meu show e eu toquei por um minuto, ganhando o público..ganhando..até que eu bati no meu cabo USB e o sistema todo desligou. Era meu antigo computador e por algum motivo, não importando o que eu fizesse, eu não conseguia conectar tudo e fazer a coisa funcionar. Isso não foi tão engraçado, foi patético.. depois disso, todos foram embora e eu fiquei lá para lidar sozinho com 450 quilos de equipamento, o qual eu tive que me virar para retirá-lo nas 2 horas seguintes. A vida brutal de uma banda de um homem só.

 

Rock Express – Muito obrigado por permitir ao público brasileiro conhecer sobre sua grande música e quem sabe inspirar novos artistas brasileiros a buscarem novos horizontes musicais.

Tristan – Obrigado Rock Express! Eu não vejo a hora de voltar ai. Eu encorajo qualquer um a entrar em contato comigo pela página do Facebook do Author & Punisher. Saudações!

 

Quando publicamos esta entrevista, o videoclipe da música “Terrorbird” já havia sido publicado, confira:


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