Kiko Loureiro comenta faixa a faixa de seu novo trabalho

Sounds Of Innocence“, quarto álbum solo de Kiko Loureiro, foi gravado no Brasil, Estados Unidos, Alemanha e Finlândia em fevereiro e março de 2012, tendo Felipe Andreoli no baixo e Virgil Donati na bateria. Produzido pelo próprio músico, mixado por Dennis Ward e masterizado por Jürgen Lusky, o disco lançado em todo o mundo contém dez faixas com a participação do baixista Doug Wimbish e do percussionista DaLua (berimbau) em “Mãe D’Água”; da tecladista Maria Ilmoniemi em “Ray Of Life“, “The Hymn“, “Twisted Horizon” e “A Perfect Rhyme“; e do percussionista Ricardo Padilla em “El Guajiro“, “Ray Of Life” e “Mãe D’Água”.

 

Track List:

1. Awakening Prelude

2. Gray Stone Gateway

3. Conflicted

4. Reflective

5. El Guajiro

6. Ray of Life

7. The Hymn

8. Mãe D’Água

9. Twisted Horizon

10. A Perfect Rhyme

 

Sounds Of Innocence” nas palavras de Kiko Loureiro:

“Sounds Of Innocence, meu quarto álbum solo, é a minha voz interior, que constantemente me mostra sons, melodias, texturas e harmonias.

A vida não deveria ser vista como uma existência limitada, mas sim como um horizonte aberto a ser explorado e experimentado. A inocência seria o lugar onde permanecemos em tranquilidade, onde tudo é possível e ninguém é superior ao outro. Para mim, compor é esse estado natural em que libero minhas emoções, forças e fraquezas. Aprendo que, quanto mais aprimoramos nossas habilidades, mais longe poderemos ir. Uma intermitência constante entre a inocência e a experiência nos traz essa consciência. A inocência é uma das características mais importantes para acalmar nossos corações e nossas vidas. Ser inocente significa esperar que coisas boas aconteçam e esperar o melhor das pessoas. A inocência nos mantém abertos para o mundo sem a necessidade de nos protegermos ou nos escondermos. Fatos negativos podem ocorrer a qualquer hora e lugar, mas a inocência é uma escolha a ser feita diariamente. Perdê-la resulta em cinismo, em não confiar nas pessoas, não crer na vida, e consequentemente, não ter confiança em si mesmo.

Preservar a inocência alimenta o sentido de estar vivo e nos possibilita evoluir como ser humano. A inocência é a essência e fonte de criatividade e liberdade. Permite estar aberto à simplicidade de ideias e aos mais profundos sentimentos e imagens musicais, o que deriva a habilidade de tocar, compor e improvisar, descobrindo constantemente a música em mim.

Todos os momentos de reflexão vividos durante o último ano são representados, de alguma forma, nas dez músicas de Sounds Of Innocence. As composições descrevem minhas experiências de maneira perfeita. Combinam meu passado com o que sou agora – lembrando os momentos inocentes que passaram e simultaneamente sendo humilde o suficiente para manter a inocência como um importante valor no presente, me permitindo aprender, explorar, desenvolver e compartilhar. Amo o que faço e isso causa a sensação única de que a música é algo que nos une universalmente. A música não pertence a mim e nem a ninguém. Quanto mais eu crio, mais puro e livre me sinto para apresentar e compartilhar minha música.

1. Awakening Prelude: O violão é meu principal instrumento quando componho e portanto é natural que Awakening Prelude seja a faixa de abertura do disco. Representa o meu dia a dia. Uma introdução calma com o violão para começar o dia. A melodia deste prelúdio antecipa o que irá acontecer na próxima música.

2. Gray Stone Gateway: Durante o processo de composição de Sounds of Innocence eu estava na Finlândia. A paisagem, a natureza e o cenário da cidade têm sido uma experiência totalmente nova para mim. Uma característica que realmente me impressiona em Helsinque são os prédios de pedra sabão, muros e igrejas.

Busco a perfeita combinação de guitarras pesadas com a melodia sincopada que expressa a minha identidade como artista brasileiro. Isso está presente em todas as minhas composições e não seria diferente com essa. Minha paixão pela harmonia, acordes e progressões complexas vem da música brasileira e me leva ao jazz e fusion que também estão presentes aqui.

The Gray Stone Gateway prende o ouvinte com uma complexa frase inicial. Essa música é muito direta, pesada, onde a melodia principal é totalmente baseada no ritmo latino. Os contrapontos com o riff pesado, a guitarra rápida com o fusion no interlúdio são o contraste do simples e o complexo; da experiência e inocência.

3. Conflicted: Com a guitarra em mãos tudo que toco tem um pouco das bandas dos anos 80 e dos grandes guitarristas. Eles foram muito significativos na formação da minha identidade como guitarrista. E evidentemente me orgulho em deixar isso fluir de forma natural. A introdução cria uma expectativa sobre o que está por vir. A atitude e a energia são extremamente intensas nessa música, contendo riffs rápidos assim como a bateria, os compassos e grooves. O conflito e o contraditório são musicalmente representados com a calma do interlúdio e a guitarra limpa que antecipa o som pesado que vem em seguida.

4. Reflective: Uma música calma, contemplativa e reflexiva para tocar. Harmonias simples, melodias inocentes e intervalos. Enquanto estava compondo e tocando essa música, me senti em outra dimensão, experimentando uma queda livre, como se não tivesse gravidade. Quase uma perda de consciência de espaço e tempo, e simultaneamente tendo o senso de fazer parte de algo imenso e universal.

5 El Guajiro: El Guajiro representa o camponês, homem do interior, uma expressão cubana para descrever as pessoas nativas do Caribe. Desde o álbum “Universo Inverso”, meu interesse pela música cubana vem crescendo muito. Eles têm um histórico musical muito parecido com o do Brasil, mas o resultado é surpreendentemente diferente. Em El Guajiro me deixo envolver totalmente pelo ritmo latino sem que o heavy metal me oprima. A percussão, claves e congas são fundamentais no arranjo, o que não é comum na música pesada. Normalmente, a música representa a tensão e liberação pela harmonia e melodia. Os padrões rítmicos também. As melodias sincopadas criam o momento de antecipação e tensão assim como a liberação. No decorrer da música inteira, o foco principal é o groove e os padrões rítmicos.

6. Ray of Life: Ray of Life é uma música muito introspectiva onde a melodia em escala maior e o ritmo constante me estimulam de forma indescritível. Com um toque melancólico e melodias ingênuas, ela me faz olhar para o lado iluminado da vida. Ao compor essa música, eu me vi seguindo três regras para uma boa escrita. Espontaneidade, a rápida colocação de uma ideia em forma escrita; fluidez, escrever ininterruptamente; e ser aberto, sem preconceitos, mantendo a qualidade sem saber o final. Passo para a escala menor no intervalo e junto com o ritmo brasileiro “samba de partido alto”, a música entra em um momento melancólico. Na parte final, o término do solo representa a volta da sensação de felicidade e esclarecimento.

7. The Hymn: Essa música é muito diferente de todas as outras que compus. Nunca fui um grande fã de grunge, mas sempre me interessei pelas harmonias despretensiosas. A introdução e o refrão seguem a concepção de estar solto, melancólico, orgânico e rude. Para equilibrar, o restante da música é muito agitado e preciso. Seria como o digital contra o analógico ou a música eletrônica contrabalançando com o rock.

8. Mãe D’Água: Mãe D’Água simboliza a sereia do rio Amazonas. Os nativos a chamam de Iara e de acordo com a lenda, ela canta uma música irresistível que atrai os homens para o rio e os cegam caso eles olham diretamente para ela. A melodia dessa música ficou na minha cabeça por dias e explica a minha escolha pelo título. Apesar do fato da lenda de Iara vir da Amazônia, os elementos da música são variados. O início é com o berimbau, um instrumento característico do Brasil. A guitarra repete as notas e o mesmo toque, como o ritmo original africano “Ijexá”. Toda a percussão, inclusive o berimbau do início, criam a atmosfera da música até que ela alcance a melodia principal. Mantive minha parte mínima, sem exceder muitas notas – mesmo nas partes onde têm muitas, não fiz solos. Esses intervalos criam a imagem do rio Amazonas com a sereia Iara e no outro lado o berimbau brasileiro e as raízes africanas.

9. Twisted Horizon: Essa foi a primeira música que fiz para esse álbum. Compus durante o período inicial da minha vida na Finlândia, quando me dei conta de que estava do outro lado do mundo. Não só o horizonte estava invertido, mas tudo à minha volta era muito novo. A melodia dessa música é muito positiva e forte, vislumbrando um bonito futuro. Ao mesmo tempo, sob a melodia principal, o baixo e a bateria criam um ritmo complexo representando uma certa instabilidade interior. Quando entra o refrão, tudo volta à estabilidade e positividade completa. Melodicamente essa é a faixa mais positiva do disco. A parte melancólica, à la Piazolla, reflete este lado emotivo das pessoas latinas e finlandesas.

10. A Perfect Rhyme: O disco estava pronto, todas as demos finalizadas, mas eu sabia que seria muito importante compor uma música que representasse o nascimento da minha filha e a realização de ter uma família. Sentei no piano com essa ideia em mente e a música me veio por completo. Eu a mantive exatamente como foi criada mesmo podendo usá-la como uma introdução para uma música mais pesada ou então para uma linda balada. Mas se eu fizesse isso, mudaria a proposta inicial da música. Em A Perfect Rhyme a guitarra e o piano são acompanhados por um bonito arranjo orquestral para fechar o álbum. Está finalizado.

Todo álbum é resultado de muito trabalho, comprometimento, e consequentemente uma enorme realização. Entretanto, esse disco foi um dos mais significativos e importantes para mim. Sounds Of Innocence representa o que sou hoje, toda minha musicalidade, aspirações e desejos. Muito obrigado!”

 

Fonte: Furia Music – Press

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